Todos já sabem que a Reforma Tributária brasileira representa um dos maiores marcos de alteração no sistema de tributação sobre consumo das últimas décadas.
Porém, o que pouco se fala é que, além da alteração da estrutura tributária, ela altera profundamente a forma como as empresas calculam seus custos e definem seus preços.
Com a implementação do IBS e da CBS, o sistema passa a seguir uma lógica semelhante à de um IVA dual. Na prática, isso traz uma mudança importante: esses tributos passam a ser calculados “por fora” do preço.
Em outras palavras, praticamente todos tributos pagos nas etapas anteriores passam a gerar créditos mais amplos e recuperáveis. Isso significa que os valores que hoje compõem o custo da mercadoria tendem a deixar de impactar diretamente o CMV, alterando a estrutura real de custos das empresas e mitigando discussões como qual insumo pode ou não ser considerado essencial para fins de creditamento.
À primeira vista, isso pode parecer apenas uma simplificação do sistema. Mas, na prática, a mudança tem impactos diretos na formação de preços e nas margens das empresas.
Na prática, o CMV sob a Reforma Tributária tende a deixar de ser um emaranhado de variáveis regionais e setoriais para se aproximar mais do custo econômico real da operação. Com menos resíduo tributário embutido nos custos, o lucro bruto torna-se mais fiel à realidade do negócio e o fluxo de caixa tende a se tornar mais previsível.
Mas isso só acontece para empresas que se prepararem.
Empresas que realizarem uma análise estruturada dos impactos da Reforma Tributária em seus custos e na formação de preços poderão antecipar ajustes estratégicos, proteger suas margens e até ganhar competitividade no mercado.
Ao mesmo tempo, empresas que não revisarem sua estrutura de custos podem acabar precificando de forma inadequada; seja comprimindo margens sem perceber, seja ficando mais caras que concorrentes que se adaptarem mais rápido ao novo modelo.
Por isso, a análise detalhada do impacto da reforma no CMV e na precificação permite identificar oportunidades de ajuste, simular cenários e construir uma estratégia de preços alinhada ao novo modelo tributário.
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